Tum Teav é uma trágica história de amor sobre um monge novato chamado Tum e uma linda adolescente chamada Teav. É baseada em uma história verídica que realmente aconteceu no Camboja durante a era Lonvek, uma era obscura após o declínio da gloriosa era Angkor a partir de 1431. Não sabemos exatamente em que ano a história aconteceu, mas maioria dos cambojanos acredita ser uma história de amor do século XVI que chamou a atenção do povo.

A história foi transmitida oralmente até que uma versão escrita ganhou vida no início do século XX. Existem diversas versões da história. Uma delas foi escrita em 1915 por um monge chamado Som, abade de um templo budista e é toda em verso. A segunda versão foi escrita em 1942 por um nobre Khmer chamado Nou Kan também em verso.

A importância da história de Tum Teav ficou claramente evidente para Etienne Aymonier (1844-1929), o oficial francês da marinha, que produziu duas traduções das versões orais. Aymonier ouviu a história contada ou contada ao longo do Camboja e fez a primeira tradução da história a pedido de Louis Delaporte, outro membro da administração francesa, que havia também ouvido sua apresentação durante suas viagens pelo interior do país.

Éthienne Aymonier

Ele ficou tão impressionado com a história que incluiu o livro de Aymonier em sua Voyage au Cambodge, Architecture Khmere, publicada em 1880. Aymonier publicou ele mesmo sua segunda tradução da história vinte anos depois.Independentemente das pequenas diferenças nas duas versões escritas, a ideia principal permanece a mesma.


Tum Teav é a pedra angular do cânone literário cambojano e tem sido ensinada nas escolas cambojanas desde 1957, ano em que a literatura Khmer foi introduzida pela primeira vez no currículo nacional após conquistar a independência dos franceses.


Em 1958, foi estipulado que Tum Teav fosse ensinada nas escolas e universidades do país a partir do nível secundário. Na década de 1960, Tum Teav já era um texto central no currículo de literatura Khmer para escolas secundárias. Nas turmas do terceiro ano, Tum Teav foi ensinada junto com textos clássicos como The Reamker. Esses textos foram usados ​​para ilustrar as influências do Budismo e do Bramanismo na literatura cambojana.

A descrição da história dos antigos costumes cambojanos também demonstra que se trata de um produto exclusivamente cambojano e não de uma adaptação de um texto estrangeiro.

Em 1965, o currículo da literatura Khmer foi revisado e muitas obras foram removidas. Tum Teav foi mantido no currículo, afirmando sua importância para a literatura e identidade cultural cambojana.
Na década de 1960, Tum Teav tornou-se um tema de séria pesquisa literária e debate entre estudiosos cambojanos. Em 1960, a Associação de Escritores Khmer, sob a direção de Hel Somphea, viajou para Tbong Kmom para pesquisar a origem da história e sua base na história do Camboja. Eles se encontraram com supostos descendentes de ex-escravos descritos na história e foram mostrados locais onde se acreditava que episódios da história teriam ocorrido, como o local onde Teav cometeu suicídio.

Cena do filme Tum Teav


Apesar da crença popular, no entanto, é difícil encontrar evidências empíricas que apoiem o argumento de que as pessoas e eventos descritos são baseados em fatos históricos. A evidência escrita mais convincente é a inclusão da história em textos históricos cambojanos. E foi exatamente esta evidência que o pesquisador George V. Chigas II tentou encontrar em sua tese de doutorado intiulada: Tum Teav: A Study of a Cambodian Literary Classic, defendida em 2001 na Universidade de Londres -Faculdade de Estudos Africanos e Orientais). Em sua tese, ele utiliza como base outros textos e registros históricos do Camboja, como as Crônicas Reais para comprovar a existência da história de Tum Teav. Será que ele conseguiu? A tese dele se encontra disponível para baixar e serviu como base para este artigo.

Feita a devida introdução, agora, vamos conhecer a história de Tum Teav:
Enquanto viaja para vender recipientes de arroz para seu pagoda, Tum, um talentoso e jovem monge budista, se apaixona por Teav, uma bela jovem se encanta pelo canto de Tum. Tum retorna para sua aldeia, mas não pára de pensar em Teav. Embora o monge-chefe lhe peça para esperar algumas semanas, ele não aguenta esperar, se despede do monge e vai atrás de Teav. Inicialmente, Tum passa algum tempo na casa de Teav, apesar de ela estar “na sombra” (um período de algumas semanas em que a filha é supostamente isolada dos homens e ensinada a se comportar virtuosamente).

Depois de professarem o amor um pelo outro, Tum e Teav passam a noite juntos. Logo depois, ele é recrutado pelo rei Rama para cantar no palácio real e deixa Teav mais uma vez. A mãe de Teav não sabe do amor de sua filha pelo jovem monge e concorda em casá-la com o filho do poderoso governador Archoun. Seus planos são interrompidos, porém, quando emissários do Rei Rama, igualmente impressionados com a beleza de Teav, persuadem para que ela se case com o rei cambojano. Archoun concorda em cancelar o casamento de seu filho e Teav é levada ao palácio real.

Já no palácio, Tum canta corajosamente uma música que professa seu amor por ela. Rama supera sua raiva inicial e concorda em deixar o jovem casal se casar. Quando a mãe de Teav fica sabendo do casamento de sua filha, ela finge estar doente para atrair Teav de volta para sua aldeia e depois a coage a se casar com o filho de Archoun. Teav escreve para Tum, que chega com um decreto do rei para interromper a cerimônia. Tum fica bêbado, anuncia que é marido de Teav e a beija em público.

Enfurecido, Archoun ordena que seus guardas matem Tum e assim, eles o espancam até a morte. Desesperada, Teav corta a própria garganta e cai sobre o corpo de Tum. Quando o Rei Rama fica sabendo do assassinato, ele desce ao palácio de Archoun, ignora os pedidos de misericórdia do governador e ordena que toda a família de Archoun – incluindo sete gerações de parentes – seja levada para um campo e enterrada até o pescoço. Um arado de ferro e uma grade são então usados ​​para decapitar todos eles.


A história de Tum Teav trouxe grandes mudanças na cultura do Camboja, que começou a abolir o casamento arranjado, entendendo que os pais nem sempre escolhem os melhores noivos para seus filhos.

Fontes: Chigas, George. Tum Teav: A Study of a Cambodian Literary Classic
Disponível em: https://eprints.soas.ac.uk/29554/1/10731710.pdf

Outras fontes:https://khmermathcenter.wordpress.com/wp-content/uploads/2016/06/tum-teav.pdf (inclui original)

https://www.dccam.org/healing/publication/tum-teav-a-translation-and-analysis-of-a-cambodian-literary-classic-george-chigas-2005/

https://www.khmer440.com/k/2007/05/tum-teav-the-classic-cambodian-story/

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