Não sei se nossos seguidores têm acompanhado a situação caótica que se instalou em Bangladesh e culminou com a fuga de Sheikha Haseena para a Índia. Vou abster-me de comentar sobre política, mas como Bangladesh em evidência estes dias, resolvi embarcar nesta onda e apresentar para vocês uma autora deste interessante país.

Taslima Nasrin (1962-), é uma autora polêmica e que assim como Sheikh Hasina, foi obrigada a deixar seu país. Mas a história de ambas é bem diferente. Filha de médicos, Nasrin também se formou em medicina, chegando a trabalhar na clínica de sua família, na cidade de Mymensingh, até ser transferida para uma clinica em Dhaka, capital do país. Nasrin começou a publicar seus manuscritos na década de 70, criticando a opressão das mulheres em Bangladesh sob o regime do Islã, o qual, segundo ela, transforma as mulheres em meros objetos dos homens.

Em pouco tempo, ela começou a abordar questões sexuais em sua escrita, o que trouxe ainda mais escândalo e repúdio dos lideres religiosos de seu país. Além de usar cabelos curtos e fumar cigarros, comportamento totalmente reprovável para uma mulher em seu país, ela ainda se recusava a usar as vestimentas islâmicas.

Os muçulmanos mais ortodoxos sentiram-se ofendidíssimos com o conteúdo da escrita de Nasrin e, em 1992, depredaram livrarias que vendessem os livros da autora. Mas, a gota dágua foi em 1993, quando um fatwa (decreto religioso com peso de opinião pública) foi dado contra ela por causa de seu livro Lajja (Vergonha), cujo tema aborda a perseguição de uma família hindu por muçulmanos.

No ano seguinte, ela continuou deixando os muçulmanos de cabelo em pé quando mencionou em uma entrevista que achava que o Alcorão deveria ser completamente revisado. Com isso, começaram a pedir sua cabeça. Mas seus problemas não terminaram por aí.

Os protestos contra ela continuaram inabaláveis ​​e o governo apelou à sua prisão, invocando uma lei sobre a blasfémia do século XIX. Após cerca de dois meses escondida, Nasrin compareceu ao tribunal, sendo libertada sob fiança e autorizada a manter seu passaporte. Poucos dias depois, ela deixou o país em busca de refúgio na Suécia. E, desde então permaneceu escondida, afirmando que, quando fosse seguro, regressaria ao Bangladesh para continuar a sua batalha pelos direitos das mulheres.

Nasrin permaneceu em exílio depois de 1994. Da Europa, mudou-se para a Índia em 2004, mas a sua presença foi duramente criticada pelos muçulmanos de lá. Em 2007, a cidade de Calcutá irrompeu em tumultos quando os islâmicos exigiram que ela fosse forçada a deixar o país. Nasrin, então, fugiu para os Estados Unidos.

Ao longo de toda esta turbulência, ela continuou a publicar, produzindo uma autobiografia em vários volumes – Amar meyebela (1999; My Girlhood, também publicado como My Bengali Girlhood), Utal hava (2002; Wild Wind) e Dwikhandito (2003; “Divided”) – bem como romances e poesia.

Nasrin, assim como Salman Rushdie virou uma persona non grata no mundo islâmico. Mas, também há autores como Arundhati Roy, Meena Kandasamy e outros que são hindus e também sofrem retaliação por terem coragem de escrever e dizer aquilo que vai contra o sistema.

Deixo vocês com uma entrevista de Talisma Nasrin à tv indiana, na qual ela aborda vários assuntos interessantes.

Leave a comment

Trending