
Ismat Chughtai (1915-1991)
Em 1942, a literatura sul-asiática foi profundamente sacudida pela publicação de Lihaaf (A colcha), conto da escritora indiana Ismat Chughtai que subverteu as fronteiras do que uma mulher ousava escrever. Narrado sob o olhar intrigado e inocente de uma menina de nove anos, o texto penetra na clausura do espaço doméstico muçulmano para expor a solidão opressiva de Begum Jaan, uma mulher negligenciada por seu marido aristocrata. Mais do que um retrato do abandono conjugal, Chughtai constrói uma narrativa revolucionária ao colocar o desejo e o prazer feminino materializados na relação íntima e sutil entre a protagonista e sua criada, Rabbo, no centro do debate literário.
Ao transformar o movimento misterioso de sombras sob uma colcha em uma poderosa metáfora de libertação e cumplicidade queer, a autora desafiou o patriarcado de sua época, enfrentando processos judiciais por obscenidade, mas garantindo a Lihaaf o status de obra-prima pioneira do feminismo global.

Apesar de minha especialidade ser a literatura japonesa, eu também estudo e consumo muito a literatura indiana desde a época que morei na Índia. Foi lá que conheci o nome de Ismat Chughtai e Lihaaf, foi o primeiro conto da autora que eu li. Este conto é muito marcante, sobretudo quando consideramos o contexto da época que foi escrito. Por isso, eu sempre nutri o desejo de traduzí-lo para o português. Porém, meu urdu não é bom o suficiente ainda para que eu possa traduzir diretamente do original. Sendo assim, eu entrei em contato com o Professor Mohammed Assadudin, da Jamia Milla Islamia, uma das maiores autoridades em literatura e língua urdu. O Professor Assadudin foi o primeiro tradutor de Lihaaf para o inglês e sua versão é a mais consagrada e lida no mundo. Tomei coragem, entrei em contato com ele, expliquei sobre o projeto dos Estudos Asiáticos e mencionei o meu desejo de traduzir Lihaaf para o português através da tradução dele para o inglês. Qual não foi a minha surpresa quando ele não só respondeu muito entusiasticamente ao meu e-mail, mas também imediatamente me autorizou a traduzir Lihaaf para a língua portuguesa. Então, fica aqui o meu profundo agradecimento ao Professor Assadudin pela autorização da tradução e pelo suporte ao projeto Estudos Asiáticos. Então, aguardem, pois no próximo post, teremos a tradução inédita de Lihaaf, de Ismat Chughtai, cujo título em português ficou como “A colcha”.
Aqui segue o perfil do Professor M. Asaduddin:

Para ler mais sobre Ismat Chughtai, leia nossa postagem sobre ela:
https://www.instagram.com/p/DCT-yDcO5dK/?img_index=1
E no próximo post….a tradução inédita de Lihaaf para o português!
Aguardem!

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